segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Episódio da não tão velha infância
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Urbana Legio Omnia Vincit

Talvez década perdida para a economia brasileira. Mas para a cultura e, mais especificamente, para a música brasileira, foi na década de 1980 que se ganhou muito. No início daqueles anos, um grupo de jovens que viviam em Brasília, em geral filhos de diplomatas, políticos ou ainda jornalistas, entediavam-se com freqüência. Entediavam-se com o marasmo da capital, com a repressão da ditadura militar, com a violência das “veraneios vascaínas”, como eram chamadas as viaturas policiais, com os pais e com a própria música brasileira.
Para esses jovens, quase todos iniciando os vinte anos, o modelo estava na Inglaterra, no movimento punk daquele país. Os rifs de guitarras e letras de bandas como Joy Division e Sex Pistols eram o exemplo a seguir. Foi nesse ambiente de revolta e insatisfação que cresceu o ainda Renato Manfredini Júnior, onde nasceram a Legião Urbana e tantas outras bandas que fundaram a geração hoje conhecida como “rock br 80”.
De Brasília, vieram bandas como a “Legião Urbana”, “Aborto Elétrico”, “Capital Inicial”, “Plebe Rude”, “Paralamas do Sucesso” dentre outras, que fizeram da década de 1980, a década do rock Brasil. Essas bandas trabalhavam com simplicidade, basicamente três acordes, como rezava a “lei do punk”. Mas isso foi o suficiente para levá-las ao estrelato.
Depois de estourar em Brasília, o caminho da Legião Urbana foi o Rio de Janeiro, como muitas outras. No Rio, a Legião Urbana, então formada por Renato Russo, Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, ganhou o país com suas letras engajadas, com sua postura debochada, mas também com letras de amor, amizade e dor.
Nos quatorze anos de existência, entre 1982 e 1996, a Legião Urbana levou verdadeiras multidões a seus shows. Mas nada de casas noturnas. A Legião Urbana tocava em estádios de futebol completamente lotados. Para alguns, se tratava de uma experiência quase mística, de meditação. Isso refletiu, claro, no sucesso comercial da banda. Foram ao todo treze álbuns lançado, somando mais de vinte milhões de discos vendidos.
O enorme sucesso da Legião Urbana foi interrompido com a morte de Renato Russo aos 36 anos em 1996. Mas isso não significou o fim do lugar que a banda ocupava no cenário nacional. Hoje, passados quatorze anos desde a sua morte(e também do fim da banda), os álbuns da Legião continuam vendendo bem. A vida de Renato Russo já foi levada ao teatro, em peça que leva seu nome e na qual o líder da Legião é interpretado pelo ator Bruce Gomlevsky. Em breve, deve estrear um filme sobre a vida de Renato Russo, além de um filme baseado na letra de Faroeste Caboclo.
No meio editorial, são diversas as biografias, como a excelente “Renato Russo”, de Arthur Dapieve. Na academia, a banda também provoca interesse, com artigos, livros, monografias e outros projetos. Mostram que a banda que pregava “força sempre” continua fazendo jus ao seu lema principal. E, por mais que tenha seus detratores, desafetos, desconfiados, a Legião Urbana é bastante respeitada por todos, como um capítulo importante da música brasileira.
Para que você, leitor, possa lembrar um pouco da trajetória da Legião Urbana, de Renato Russo, o Café História traz alguns links interessantes. Confira:
A Morte de Renato Russo no Jornal Nacional
Parte I: http://cafehistoria.ning.com/video/jornal-nacional-especial
Parte II: http://cafehistoria.ning.com/video/jornal-nacional-especial-1
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Ecravidão no Brasil - Perfil
Durante o período pré-colonial (1500 – 1530), os portugueses desenvolveram a atividade de exploração do pau-brasil, árvore abundante na Mata Atlântica naquele período. A exploração dessa matéria-prima foi possibilitada não só pela sua localização, já que as florestas estavam próximas ao litoral, mas também pela colaboração dos índios, com os quais os portugueses desenvolveram um tipo de comércio primitivo baseado na troca – o escambo. Em troca de mercadorias européias baratas e desconhecidas, os índios extraíam e transportavam o pau-brasil para os portugueses até o litoral.
A partir do momento em que os colonizadores passam a conhecer mais de perto o modo de vida indígena, com elementos desconhecidos ou condenados pelos europeus, a exemplo da antropofagia, os portugueses passam então a alimentar uma certa desconfiança em relação aos índios. A colaboração em torno da atividade do pau-brasil já não era mais possível e os colonos tentam submetê-los à sua dominação, impondo sua cultura, sua religião – função esta que coube aos jesuítas, através da catequese – e forçando-os ao trabalho compulsório nas lavouras, já que não dispunham de mão-de-obra.
A escravidão no Brasil inicia-se assim com os índios, paralelamente ao processo de desterritorialização sofrido por estes. Diante dessa situação, os nativos só tinham dois caminhos a seguir: reagir à escravização ou aceitá-la.
Houve reações em todos os grupos indígenas, muitos lutando contra os colonizadores até a morte ou fugindo para regiões mais remotas. Essa reação indígena contra a dominação portuguesa ocorreu pelo fato de que as sociedades indígenas sul-americanas desconheciam a hierarquia e, conseqüentemente, não aceitavam o trabalho compulsório. Antes dos estudos etnográficos mais profundos (fins do século XIX e, principalmente, século XX), pensava-se que os índios eram simplesmente "inaptos" ao trabalho, tese que não se sustenta depois de pesquisas antropológicas em suas sociedades sem o impacto desestabilizador do domínio forçado.
Os índios assimilados, por sua vez, eram superexplorados e morriam, não só em decorrência dos maus-tratos recebidos dos portugueses, mas também em decorrência de doenças que lhes eram desconhecidas e que foram trazidas pelos colonos europeus, como as doenças venéreas e a varíola.
Diante das dificuldades encontradas na escravização dos indígenas, a solução encontrada pelos colonizadores foi buscar a mão-de-obra em outro lugar: no continente africano. Essa busca por escravos na África foi incentivada por diversos motivos. Os portugueses tinham interesse em encontrar um meio de obtenção de altos lucros com a nova colônia, e a resposta estava na atividade açucareira, uma vez que o açúcar tinha grande aceitação no mercado europeu. A produção dessa matéria-prima, por sua vez, exigia numerosa mão-de-obra na colônia e o lucrativo negócio do tráfico de escravos africanos foi a alternativa descoberta, iniciando-se assim a inserção destes no então Brasil colônia. Convém ressaltar que a escravidão de indígenas perdura até meados do século XVIII.
Costumeiramente quando o tema escravidão é abordado, lembra-se sempre de gigantescas plantações, insalubres senzalas e feitores extremamente cruéis, onde tudo isso é visto sempre girando em torno de um cenário rural e agroexportador. Entretanto, nem sempre estes fatores representaram fidedignamente a realidade total da escravidão no Brasil, pois, percebemos que não somente no Brasil, mas em outras sociedades escravistas, as paisagens urbanas com a existência de uma grande quantidade de africanos e crioulos que desempenhavam uma grande diversidade de atividades foi bastante comum, como fica claro nos documentos seguintes:
“Vende-se uma linda e elegante mucama de 18 a 20 anos, é boa costureira, perita engomadeira, cozinha de forno, é boa doceira, apronta e serve a um chá com delicadeza, penteia e veste uma senhora: motivo da venda se dirá: na rua do Regente, n. 53”. (13/04/1843) “O Jornal do Comércio”. Citado em História Viva. Ed. 03.
“Vende-se na prisão do calabouço um moleque de 14 anos, oficial de alfaiate, bonita figura, não tem moléstias, nem vícios e só vende-se por não querer servir ao seu senhor”. (12/02/1833) “O Jornal do Comércio”. Citado em História Viva. Ed. 03.
Desta forma devemos afirmar que quando se fala em escravidão no Brasil, devemos pensar em sua manifestação em todos os setores no campo e na cidade, como ratifica o historiador Flávio “a escravidão estava nas casas, nas ruas, nas tabernas, nos gabinetes, no parlamento e nas indústrias, onde os escravos produziam chapéus, tecidos, sapatos, charutos e outros utensílios manufaturados. Seus proprietários importaram várias máquinas e a quantidade de escravos especializados mobilizados era considerável”.
O tráfico de negros africanos foi fundamental para aquecer a escravidão negra no Brasil já que em sua maioria os escravos eram trazidos da África para a América.
Podemos afirmar que no Brasil colonial havia a predominância do trabalho escravo, mas também era freqüente a presença de livres e libertos neste período.
Os escravos eram em sua maioria negros africanos, entretanto devido o processo de miscigenação racial era possível encontrar escravos mulatos e até mesmo escravos brancos.
A presença de escravos mulatos e brancos ocorreu devido o seguinte aspecto: no Brasil seguia-se a lógica do direito romano, onde a escravidão era hereditária. Esta miscigenação muitas vezes, ocorria devido o fato de que muitos senhores (quase sempre brancos) exigiam suas escravas (quase sempre negras) para serviços sexuais.
Muitos desses escravos nascidos dessas relações foram frutos de estupros de escravas pelos seus senhores.
Os escravos brancos, embora mais raros também podiam ser encontrados, no fim do século XIX muitos destes escravos de ganho e de tabuleiro.
Os trabalhadores (fossem eles escravos, livres ou libertos) desenvolviam suas ocupações tanto no campo quanto na cidade, onde todos podiam ser encontrados.
Deve-se ainda perceber as diversidades internas da escravidão, onde os escravos possuíam diversas formas de ocupações e atividades.
Não podemos esquecer que existia no Brasil Colonial escravos que apresentavam diversas origens como por exemplo: os Boçais que eram aqueles recém chegados da África no Brasil, não falando a língua local e conhecendo muito pouco os costumes da região. Os Ladinos que eram escravos africanos já aculturados ou adaptados aos costumes da região e os Crioulos que eram negros que já nasciam em cativeiro no Brasil.
I - Os escravos do campo: Trabalhavam principalmente nas atividades ligadas ao meio rural (agricultura, pecuária, etc) cultivavam cana, algodão, tabaco, arroz, café, etc.
Eram os que cuidavam, dos serviços mais pesados, também podiam produzir alimentos de roça para completar a sua subsistência ou para eventual comércio.
II - Os escravos do ofício: Mais especializados, cuidavam da moagem da cana, do fabrico do açúcar, atividades de carpintaria, construção, olaria, sapataria, ferraria, etc. A presença destes trabalhadores mostra que é um equivoco as analises simplistas que fazem um divorcio entre o trabalho escravo e o uso de tecnologia.
III - Os escravos domésticos: Escolhidos entre os mais socializáveis, Responsabilizavam-se pelo funcionamento da casa grande, transportando fardos, água, lixo, cozinhando, lavando, transportando seus senhores em cadeiras e palanques etc.
IV - Os escravos de ganho: Eram escravos que desempenhavam tarefas que envolviam obtenção de renda. Estes escravos trabalhavam em troca de dinheiro, que dividiam com seus senhores. Eram estes escravos que estavam mais próximos da alforria.
V - Os escravos de aluguel: Podiam ser alugados por seus senhores para outros senhores para diversos serviços a terceiros. Cabia aos senhores o lucro das transações.
VI - Escravidão urbana: Pouco citada nos livros didáticos no Brasil. Os escravos desempenhavam nas cidades qualquer tipo de tarefa, podendo ser encontrados como: vendedores, barbeiros, açougueiros, sapateiro, marceneiro e até mesmo tarefas incomuns com escrivãs de cartórios, enfermeiros etc.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Ser historiador
Ser historiador é entender a essência do nosso presente, é compreender o nosso passado, criticando esse presente. Em outras palavras é "muito massa".
Infelizmente a nossa realidade evidencia outras profissões e por isso brincamos um pouco com isso, mas ser historiador é tão fundamental e importante quanto um médico. Imaginem como seria para alguém descobrir o passado de sua família se não fosse por meio da história, ou melhor das fontes históricas... Que cidade iria construir-se num espaço sem a História?
Historiadores somos todos nós, críticos, que investigamos o passado, portanto, história não é coisa apenas de museu, nem tampouco de professor licenciado nesta área do conhecimento. O que nos vale saber é que a partir do momento em que nós pensamos, analisamos e criticamos - positiva ou negativamente - estamos fazendo História.
Se há uma coisa que costumo mencionar, principalmente aos meus alunos é que "tudo é História", até mesmo aquela pedra de calçamento. Mas como assim? Pegando o exemplo dessa dita pedra de calçamento, existem razões pelas quais ela foi colocada ali, além disso ela fora colocada numa determinada gestão municipal, por conseguinte temos a importância da rua e a seguinte pergunta, bem óbvia - diga-se de passagem - "que rua é esta?", "seria uma rua comercial? uma rua onde moram pessoas ditas importantes no meio social do município?", dentre outras perguntas que vão construíndo um perfil; e este perfil é fundamental para o historiador, e são perguntas que, dentro de sua pesquisa o historiador faz as suas fontes.
E o que vem a ser "fontes históricas"? é tudo aquilo que auxilia o historiador em sua pesquisa, por exemplo, a pedra de calçamento mencionada acima; é o documento que pode ser, dependendo da pesquisa uma certidão de casamento, nascimento, óbito, registro de casa, dentre outros; é um diário de uso pessoal, enfim, tudo aquilo que mostre comprovação, tendo em vista que a História mostra-se como uma ciência, e como toda ciência necessita de algo comprobatório como, por exemplo, a matemática é uma ciência exata porque seus estudos culminam sempre na mesma resposta, embora que muitos dos meus colegas matemáticos, físicos, químicos venham a discordar em partes, mas na sua essência é isso. A História é ciência porque necessita de comprovação e esta vem a partir do documento, da fonte histórica. Mas a História é uma ciência humana, porque estuda o social. Mas que parte do social? O seu passado.
Portanto, concluímos que o historiador é um cientista do social, ou seja, estuda o passado através de fontes que possam comprovar que determinado fator é realmente fruto de uma vivência em sociedade, para isso temos as correntes historiográficas que aí é um grancho para outro post.
Somos loucos! Loucos, sim! Mas são os loucos que fazem a História!
Frases que um historiador nunca irá ouvir
- O Sr. fez História? Pode me dar um autógrafo, é pra minha filhinha de 5 anos. Ela não assiste outra coisa que programas sobre a Renascença Italiana.
- Historiador não paga, pode entrar por essa porta.
- Você tem doutorado em História!? Desculpe meus modos, Doutor, não quis ser mal educado.
- Quem é aquele saindo da limosine? – Não acredito! É o célebre Historiador Dr. Joel Almeida!
- Peguei um autógrafo do Historiador Paulo Pitombas! Meus amigos não vão acreditar em mim!
- Senhoras e Senhores, temos um caso de emergência! Há algum Historiador no avião?
PERGUNTAS IMBECIS! PERGUNTAS E COMENTÁRIOS QUE TIRAM QUALQUER HISTORIADOR DO SÉRIO
- Tenho um tio que sabe mais que você sobre 2ª Guerra.
- Você sabe quem foi o sujeito que é o nome da minha rua?
- Adoro História, se eu não fosse eu não tivesse feito Direito/Medicina/Engenharia (ou qualquer outra faculdade), eu teria cursado História.
- Me fala um livro para eu aprender a história do mundo todo.
- Por que mesmo você fez História?
- Dan Brown é Historiador, não é?
-Minha irmã de 4 anos adora história, acho que ela leva jeito.
- Por que você fez História mesmo?
- E você trabalha?
- Duvido que você diga todos os presidentes da República.
- Meu avô viveu a história.
- Meu avô disse que é bobagem de historiador esse negócio de Ditadura.
- Meu pai não lembra de Ditadura nenhuma, só uma Revolução.
- Você pode ajudar com o trabalho do meu filho sobre escravidão? É para 6ª série.
- Sim... Mas o que é História?
- Quem vive de passado é museu!
- Qual é a altura do George Washington?
- A burguesia tomava banho?
- O rei mandava na burguesia?
- Af! História! nam - essa muitos alunos de ensino médio e fundamental dizem
- Se história desse dinheiro, eu tinha feito história - essa dá raiva até em Heródoto
- Você fez História porque mesmo?
- Historiador?! ... Vai morrer de fome.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Espaço de Debates
Somos todos agentes da História.