segunda-feira, 7 de março de 2011

A Maçonaria e a Abolição da Escravatura por A. Tenório d’Albuquerque


O ideário abolicionista, assim como os movimentos que antecederam a Independência, atingirá todos os campos da sociedade, incluindo a senzala que, vista de cima terá uma conotação diferente entre a colonização e a monarquia independente do Brasil. Nunca se pensou o escravo no Brasil como nas décadas de 1850-88.
O papel da Maçonaria, neste período, será fundamental, uma vez que a instituição terá como princípio a “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” como bem enfocamos já neste estudo. Tenório d’Albuquerque, nas páginas que antecedem o conteúdo do livro A Maçonaria e a Libertação dos Escravos (1970), aborda alguns preceitos maçônicos que podemos destacar: “Ama a Humanidade. Escuta a voz da natureza que te brada: todos os homens são iguais” (D’ALBUQUERQUE, 1970, s.n.t.), o que nos faz pensar e interrogar os motivos pelos quais, somente neste período, a Maçonaria combatia o trabalho escravo. O primeiro aspecto que podemos pressupor é que, antes de filantrópica, a Maçonaria do século XIX será parte de uma elite; elite esta que pertence a uma sociedade agrária, monocultora e, essencialmente, escravocrata.
Se retrocedermos no tempo e buscarmos as raízes da instituição maçônica brasileira vemos que esta é formada por um grupo tipicamente rural que determinam o espaço político e econômico nacional, e, também composta de alguns intelectuais advindos da Europa – que instalaram a ordem no Brasil. Suas falas partem, portanto, desse lugar social que se constitui no cenário político de nosso país.
Com a monarquia brasileira, os maçons ganharão papeis de destaque no cenário político, a começar com o “patriarca da Independência” – José Bonifácio –, o próprio D. Pedro I, dentre outros. São essas posições de destaque que vão incluindo, cada vez mais a Maçonaria na política brasileira chegando, na segunda metade do século XIX a compor boa parte nas assembléias e governo provinciais.
A interrogação acerca da participação da instituição maçônica no processo de abolição da escravatura está centrada em dois momentos: o primeiro que pensa um Brasil independente com a participação fundamental do escravo, novamente como propulsor de uma estrutura econômica vindo, portanto, a consolidar e estabilizar a economia do país; o segundo que pensa num país independente e autônomo, atentando para o cruel ato que marca a escravidão.
A participação da Inglaterra será fundamental para a construção desse cenário. Através de tratados, a nação britânica irá impor, com seu autoritarismo político-econômico, a extinção do tráfico negreiro, o que, num primeiro momento provocará a autonomia política do Brasil, despertando discursos políticos, tais como o do maçom Luiz Augusto, citado em Tenório d’Albuquerque:

Luiz Augusto, outro maçom, também combateu de rijo o tratado, vendo nele uma imposição britânica atentatória à nossa soberania [...].
“Penso que o tratado, que vai dar lugar a sérios atentados à soberania nacional por parte da Inglaterra. [...] Preferível seria, sem dúvida que, próprio motu, adotássemos medidas naquele sentido e não por ser sugestão e pressão inglesas” (D’ALBUQUERQUE, s.n.t., p.451)

Ainda sobre os tratados assinados antes e após a Independência do Brasil, temos:

Mal se refazia o Brasil das lutas da independência, quando a Inglaterra se prevaleceu da circunstância para impor-nos um tratado aviltante. [...] Referimo-nos à humilhação imposta ao Brasil pela Inglaterra, com a assinatura do tratado de 23 de novembro de 1826.
Assim expressa Manuel Bonfim, em O Brasil Nação, pág. 109: “A convenção de 1826, proibindo o tráfico de pretos [sic] africanos nas costas do Brasil a começar três anos depois, foi arrancada do governo de Pedro I pelo gabinete de Londres, nos ajustes do Reconhecimento” (Idem, p.445)

João Luiz Alves, em A questão do elemento servil, páginas 193 e 194, assim se refere ao tradado:
“Por esse tratado se estabelecia:
1º. que três anos após a troca das ratificações, seria considerado pirataria o comércio de escravos da costa d’África por parte dos súditos do Império do Brasil;
2º. que ficavam em vigor, palavra por palavra, os tratados celebrados por Portugal, sobre o mesmo assunto, em 22 de janeiro de 1815 e 28 de julho de 1917, com os artigos adicionais;” (Idem, p.446)

As falas acima imprimem revoltas nacionalistas, embutidas no mais profundo âmago do brasileiro e, porque não dizer, também do bolso. Separando as ironias e romantismos do nosso discurso, o que de primordial podemos apontar é, de fato, uma revolta nacionalista ao ter, segundo discursos apresentados pelo próprio Tenório d’Albuquerque, uma nação estrangeira – a Inglaterra – metendo o “bedelho onde não é chamada”[1]. De modo que, Tenório d’Albuquerque apresenta, em seus livros os pensamentos de uma sociedade vivendo e discutindo o Brasil em pleno século XIX marcando, nitidamente, dois momentos e, portanto, dois discursos totalmente diferenciados.
Como bem já apontamos acima, tais discursos versarão, num primeiro momento, pela manutenção do trabalho escravo, tendo em vista “[...] que dá um cruel golpe nas Rendas do Estado”[2]. Sobre isso, Tenório d’Albuquerque, citando o Deputado Cunha Matos – maçom – fala:

Diminui as Rendas do Estado e dá-lhes um cruel golpe, porque percebendo os Cofres da Fazenda Pública uma soma excedente a 20$000 de direitos de cada escravo [...] É prematura por não termos por ora no Império do Brasil, uma massa de população forte, que nos induza a rejeitar um imenso recrutamento de gente preta. (D’ALBUQUERQUE, [19--], p. 448-51)

De fato o escravismo instalado na colonização até a primeira metade do século XIX fora a mais importante renda para traficantes e senhores de engenho que se beneficiavam com o comércio, até então legal de “pretos”, e abastecia o Brasil de mão-de-obra que exigia apenas um quartinho em péssimas condições ao qual, ironicamente, chamariam de lar, e comida para não padecerem, pois também eram gente, embora discursos religiosos ligados ao catolicismo, que se arrastavam desde os seiscentos condenassem suas formas religiosas, levando-os direto para o inferno.
De forma que a virada para a segunda metade do século XIX irá imprimir discursos dentro da sociedade brasileira, fundadas na própria Maçonaria, como os dos abolicionistas, e também maçons, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco que pensarão a sociedade brasileira sem escravos, bem aos moldes que impuseram os ingleses, e diferente do que se pensava parcela dos integrantes da instituição maçônica no período anterior à extinção do tráfico. Sobre isso, fala Tenório d’Albuquerque em A Maçonaria e a Libertação dos Escravos (1970):

A libertação dos escravos no Brasil, foi, não há como negar, iniciativas de maçons, um empreendimento da Maçonaria. A Maçonaria, cumprindo sua elevada missão de lutar pela reivindicação dos direitos do Homem [...]. Aí estão os fatos para confirmar nossa assertiva. Basta ver a predominância extraordinária de maçons entre os que pelejaram para que desaparecesse do Brasil a vexatória mancha da escravidão. Dentre outros citamos: Nabuco de Araújo, Visconde do Rio Branco, José do Patrocínio, Luiz Gama, Joaquim Nabuco, João Alfredo, Euzébio de Queiróz, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Teófilo Ôtoni, Saldanha Marinho, Luis May, Chicorro da Gama, Pimenta Bueno (Marquês de São Vicente), Sousa Franco, Barão do Rio Branco, Tristão de Alencar, Tôrres Homem, Francisco Otaviano, Figueira de Melo, Cristiano Ôtoni, Sinimbu, Jerônimo Sodré, Barros Pimentel, Nicolau Moreira (Presidente da Sociedade Brasileira contra Escravidão), Lopes Trovão, Castro Alves, Ubaldino do Amaral, João Ferreira, Serpa Júnior [...]. (D’ALBUQUERQUE, 1970, p.29)

Na fala de Tenório encontram-se personagens, vinculados a instituição maçônica que, em suas artes – como é o caso de Castro Alves – enfatizarão o manifesto abolicionista e, com isso irão inserir no seio da sociedade brasileira as tão sonhadas idéias de extinção do trabalho escravo; ou através de sua representatividade no poder político – como é o caso de Euzébio de Queiroz, Quintino Bocaiúva e Saldanha Marinho – que irão legislar a favor dos escravos, libertando-os gradativamente do cruel ato que aprisiona o homem e sua liberdade. De modo que, ao chegarmos à década de 1850 vê-se, através dos olhos dos abolicionistas, e não tão distante, o fim da escravidão, tendo em vista a extinção do tráfico imposto pela Inglaterra. Segundo Emília Viotti da Costa em A Abolição:

“Até meados do século XIX não se pode falar propriamente em movimento abolicionista. Às críticas à escravidão [...] e as propostas em favor da emancipação dos escravos despertavam pouco entusiasmo.” (COSTA, 2008, p.39).

Pensar a escravidão em frangalhos, principalmente no Nordeste era, deveras, fácil. Pensar o escravismo como peça ofensiva ao progresso do país pelo poeta romanista Castro Alves era belo. Contudo pensar a abolição em sua totalidade – política e economia – tornava-se mais complicado, pois tratava de pôr em liberdade milhares de escravos que concentravam seus espaços no Sul do país, tendo em vista a desvalorização econômica do Nordeste e a abertura do comércio brasileiro ao café – marca dos oitocentos. Essa questão torna-se ainda mais delicada ao pensar o aumento da população de livres, sem haver algum crescimento econômico e até mesmo habitacional, o que iria provocar uma marginalização dessa parcela desfavorecida que procurariam na periferia – assim como fizeram junto com outra parcela da população já livre – o modo mais simples de chegar até o centro controlado pela elite nacional,ou participar daquela divergente sociedade que é a marca do Império e da República.
Para tanto, leis que versarão sobre o fim do escravismo começam a serem postas em discussão e, posteriormente em prática, a citar a Lei do Sexagenário, Lei Euzébio de Queiróz, Lei do Ventre Livre. Isto dará fôlego, ainda inibido, ao movimento. Sobre a atuação da Maçonaria através de seus membros, diz Tenório d’Albuquerque:

Euzébio de Queiróz, como verdadeiro maçom, era abolicionista e contava com o decidido apoio do senador Nabuco de Araújo. Enfrentando tenaz oposição dos escravocratas, dos indignos exploradores do braço negro, o Ministério arremessou-se à luta pela abolição. Em 4 de setembro de 1850 foi aprovada a Le número 584, que proibia o tráfico de escravos e estabelecia penas rigorosas para os transgressores. [...] Foi a primeira lei em realidade eficiente contra a escravatura. Era a extinção do tráfico desumano dos africanos. (D’ALBUQUERQUE, 1970, p.289)

A fala de Tenório, embora narre acerca da primeira lei decretada sob a égide do governo brasileiro, mesmo que sob pressão inglesa, vem carregada de sentimentalismo e emoções bem típicas de uma filosofia enraizada na vida de um maçom.
“Durante a década de 1860, desenvolve-se um movimento emancipacionista significante no Brasil” (CONRAD, 1978, p. 88). A fala de Robert Conrad precede, em seu texto, a narrativa de como se formulará a perspectiva da Lei do Ventre-Livre ou Lei Rio Branco (1871), também de autoria maçônica e que libertará os filhos de escravas nascidos a partir da data da lei.
As leis que formularão a libertação dos escravos que, na narrativa de Tenório apresentam-se como fundamentadas por maçons, carregadas de princípios maçônicos a começar pela Lei Eusébio de Queiroz “Pôsto [sic] que o Brasil estivera sinceramente desejoso de impedir o tráfico negreiro” (D’ALBUQUERQUE, 1970, p.289) dará abertura para a criação de leis tais como a Lei do Ventre-Livre e dos Sexagenários ou Lei Saraiva-Cotejipe que terá esta como princípio a liberdade de escravos com mais de sessenta anos. Estas leis são fundamentais, pois

Com a Lei do Ventre-Livre e a Lei dos Sexagenários, era uma questão de tempo para ser extinta a escravidão, a tão deprimente mancha de nossa nacionalidade, que colocava o nosso Brasil em posição de inferioridade no conceito das nações civilizadas. (D’ALBUQUERQUE, 1970, p. 301)

Sobre a Lei do Ventre-Livre, a historiadora Ariane Norma de Menezes Sá, relata:

A Lei do Ventre-Livre decretou a liberdade de escravos nascidos após 28 de setembro de 1871 e estabeleceu que o dono de pais dos escravos deveria cuidar do menor até os oito anos. Depois disso, o senhor poderia receber uma indenização ou utilizar seus serviços até os 21 anos de idade. Libertar o ventre possibilitou disciplinar o filho de escravos de acordo com os parâmetros de um mercado de trabalho que então se forjava. O Estado interferia nas relações entre senhor e escravo, mas deixava ai encargo do primeiro a forma como deveria conduzir a educação do liberto. [...] A aplicação da lei asseguraria um certo controle do Estado e da elite sobre o número de escravos  existentes no Império [...]. (SÁ, 2005, p.25-6)

Analisando as duas falas, teremos duas interpretações acerca de um mesmo processo, haja vista que Tenório e Ariane Norma além de falarem de lugares sociais diferentes, também narram um mesmo processo em períodos diferentes. Contudo, a primeira fala – a do maçom Tenório d’Albuquerque – traz como marca um nacionalismo típico da instituição maçônica que adotará como princípio basilar o patriotismo, enquanto que na segunda fala, temos a imparcialidade marca da História.

A Lei dos Sexagenários foi uma tentativa desesperada daqueles que se apegavam à escravidão para deter a mancha do processo. Mas era tarde demais. O povo arrebatara das mãos das elites a direção do movimento. A abolição tornara-se uma causa popular [...]. (COSTA, 2208, p.90)

Emília Viotti da Costa alerta para um fato deveras importante, que é a marca da população impressa no movimento abolicionista. A Lei dos Sexagenários denotará um poder escravista em frangalhos, pois, segundo a narrativa de Tenório libertará o Brasil das garras cruéis da prisão que simboliza a escravidão.


[1] Ditado popular
[2] MATOS, Cunha. Apud. D’ALBUQUERQUE, Tenório. A Maçonaria e a Grandeza do Brasil. 3ed. Rio de Janeiro: Aurora, [19--], p. 448-51.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
D’ALBUQUERQUE, A. Tenório. A Maçonaria e a Grandeza do Brasil. 3ed. Rio de Janeiro: Aurora, [19--].

_______________. A Maçonaria e a Libertação dos Escravos. Rio de Janeiro: Aurora, [19--].

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Episódio da não tão velha infância

Antes de começar a descrever a incrível cena que este historiador teve a oportunidade de presenciar estes dias, gostaria de iniciar este artigo descrevendo o título, que consiste numa lembrança que tive da minha infância frente a uma cena bastante comum, ou ao menos era comum até uns tempos aqui atrás. Portanto, o título traz essa memória de uma infância que não está muito distante, tendo em vista que tal episódio ainda marcou várias infâncias pelos sertões do Nordeste.
A cena que presenciei mais parece uma evidenciada, esta no filme "Auto da Compadecida" em que o personagem Chicó, interpretado por Selton Mello encontra-se em um parque frente a Igreja da cidade de Taperoá, na Paraíba. O Estado é o mesmo, porém a cidade é diferente,;esta consta no meu roteiro de viagens a trabalho que faço rotineiramente. O local - a cidade de Sousa; o palco - a praça da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios; um parque.
O momento me evidenciou contextos em que vivi enquanto criança, situações das quais não irei esquecer por me ter marcado muito... Na cena via-se a Igreja Matriz - ao fundo - arrodiada do parque que entoava cantigas atuais, mas que me relembraram aqueles toques do carrosel a qual adorava escutar quando criança... Via-se a população - não muita, diga-se de passagem - aproveitando o momento... O que antigamente servia de palco para os namoricos, hoje se torna local de saudade dos velhos beijos enamorados da juventude da época que deu lugar a infância que frutificara daquele romance às antigas.
Mas voltando-me ao contexto, recordo e comento com um de meus alunos aquele momento de minha infância que, após a missa das sete horas - geralmente aquelas da semana da Santa padroeira da cidade - andava e aperriava minha mãe para brincar naqueles brinquedos.
Vi, saudoso esta imagem e confrontei com a realidade que bate a porta de quaisquer cidadão. Em horário ocioso decidi andar por aquele lugar no intento de resgatar, enquanto historiador, lembranças de velhos parques, de velhos brinquedos, de jovens pessoas, de recordações imensas. Feito andarilho do passado percorri pedaço daquele lugar entrevistando-me acerca de meu passado e ali coletando dados para que pudesse escrever este humilde texto. A conclusão desta entrevista é que além de saudades, percebo que o mundo mudara e as pessoas também. Em outras palavras, aqueles momentos que antecediam o término da missa e aproximava-se da tão divertida noite no parque está ficando, a cada dia, no passado, chegando, a cada vez mais, na obscuridade da memória, até então lembrada com saudosidade.
De modo que, aquela cena trouxera para mim recordações que, por certo, ficariam ali no ítimo até o momento de outro parque. O fato é que, era tradição, principalmente em festas religiosas, os donos de parques invadirem a cidade e tomarem as ruas cricunvizinhas à Igreja para fornecer diversão aquelas crianças que saíam da missa sem entender nada do que o padre dissera e que contava as horas para o término., ao mesmo tempo que os namorados reservavam momentos preciosos para trocar versos de amor e declarações singelas.
Já fui assim... Aliás... Fomos assim.... Evoluímos, amadurecemos, contudo, nossa infância nos recorda com bons momentos vividos em situações tavez até inusitadas no presente.
Talvez outras infâncias ali foram recordadas, assim como juventudes enamoradas; mas deixemos aqui o espaço da lembrança que marca momentos, sejam eles bons ou não, mas que um dia são recordados em tom saudoso e arrancam o suspiro que mais parece dizer: "ai como queria voltar o tempo em que era feliz e não sabia" e dizer, em tom estranho: "antes pensava em crescer e ficar adulto, agora, crescido, quero voltar ao tempo em que preocupação era uma simples palavra no dicionário de gente grande".
Recordemos o passado e a ele dediquemos uma canção... Relembremos os parques de nossa vida e a eles ofertemos saudosas lembranças... das que não voltam, mas também não se apagam.
Ah! Velhos parques! Ah!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Urbana Legio Omnia Vincit

Uma das maiores bandas brasileiras, a Legião Urbana terminou em 1996 com a morte de Renato Russo, mas sua história continua sendo escrita com versos fortes

Por volta de uma hora da madrugada do dia 11 de outubro de 1996, o líder da banda de rock Legião Urbana, Renato Russo, faleceu devido a complicações decorrentes da Aids, em seu apartamento na rua Nascimento Silva, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. A partir daquele momento, a notícia correu o Brasil, o mundo e deu início a uma lenda que circula até hoje entre os fãs da Legião Urbana: nos bastidores do Jornal Nacional, da Rede Globo, a então apresentadora Lilian Witte Fibe não estava convencida de que o JN deveria dedicar meio jornal para a morte do cantor. Poucos antes de entrar no ar, William Bonner, tenso, lançou mão de uma estratégia para convencer Witte Fibe da escolha editorial do jornal: recitou-lhe todos os 159 versos de Faroeste Caboclo, a maior e talvez a mais impactante música da banda da Legião. Deu certo. E se aos 15, João de Santo Cristo foi mandando ao reformatório onde aumentou seu ódio diante de tanto terror, em 1996 o Jornal Nacional mandou ao ar a completa homenagem ao líder da Legião Urbana e aumentou ainda mais o culto à banda. Mas esse fenômeno da historia da música brasileira começou muitos anos antes, naquela que foi chamada de a “década perdida”.

Talvez década perdida para a economia brasileira. Mas para a cultura e, mais especificamente, para a música brasileira, foi na década de 1980 que se ganhou muito. No início daqueles anos, um grupo de jovens que viviam em Brasília, em geral filhos de diplomatas, políticos ou ainda jornalistas, entediavam-se com freqüência. Entediavam-se com o marasmo da capital, com a repressão da ditadura militar, com a violência das “veraneios vascaínas”, como eram chamadas as viaturas policiais, com os pais e com a própria música brasileira.

Para esses jovens, quase todos iniciando os vinte anos, o modelo estava na Inglaterra, no movimento punk daquele país. Os rifs de guitarras e letras de bandas como Joy Division e Sex Pistols eram o exemplo a seguir. Foi nesse ambiente de revolta e insatisfação que cresceu o ainda Renato Manfredini Júnior, onde nasceram a Legião Urbana e tantas outras bandas que fundaram a geração hoje conhecida como “rock br 80”.

De Brasília, vieram bandas como a “Legião Urbana”, “Aborto Elétrico”, “Capital Inicial”, “Plebe Rude”, “Paralamas do Sucesso” dentre outras, que fizeram da década de 1980, a década do rock Brasil. Essas bandas trabalhavam com simplicidade, basicamente três acordes, como rezava a “lei do punk”. Mas isso foi o suficiente para levá-las ao estrelato.

Depois de estourar em Brasília, o caminho da Legião Urbana foi o Rio de Janeiro, como muitas outras. No Rio, a Legião Urbana, então formada por Renato Russo, Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, ganhou o país com suas letras engajadas, com sua postura debochada, mas também com letras de amor, amizade e dor.

Nos quatorze anos de existência, entre 1982 e 1996, a Legião Urbana levou verdadeiras multidões a seus shows. Mas nada de casas noturnas. A Legião Urbana tocava em estádios de futebol completamente lotados. Para alguns, se tratava de uma experiência quase mística, de meditação. Isso refletiu, claro, no sucesso comercial da banda. Foram ao todo treze álbuns lançado, somando mais de vinte milhões de discos vendidos.

O enorme sucesso da Legião Urbana foi interrompido com a morte de Renato Russo aos 36 anos em 1996. Mas isso não significou o fim do lugar que a banda ocupava no cenário nacional. Hoje, passados quatorze anos desde a sua morte(e também do fim da banda), os álbuns da Legião continuam vendendo bem. A vida de Renato Russo já foi levada ao teatro, em peça que leva seu nome e na qual o líder da Legião é interpretado pelo ator Bruce Gomlevsky. Em breve, deve estrear um filme sobre a vida de Renato Russo, além de um filme baseado na letra de Faroeste Caboclo.

No meio editorial, são diversas as biografias, como a excelente “Renato Russo”, de Arthur Dapieve. Na academia, a banda também provoca interesse, com artigos, livros, monografias e outros projetos. Mostram que a banda que pregava “força sempre” continua fazendo jus ao seu lema principal. E, por mais que tenha seus detratores, desafetos, desconfiados, a Legião Urbana é bastante respeitada por todos, como um capítulo importante da música brasileira.

Para que você, leitor, possa lembrar um pouco da trajetória da Legião Urbana, de Renato Russo, o Café História traz alguns links interessantes. Confira:

A Morte de Renato Russo no Jornal Nacional

Parte I: http://cafehistoria.ning.com/video/jornal-nacional-especial

Parte II: http://cafehistoria.ning.com/video/jornal-nacional-especial-1


* O post é um recorte de um artigo do Café História, onde aqui também recordar e prestar homenagem ao Legião Urbana, em especial ao Renato Russo. Quem quiser conferir outros artigos do Café História é só acessar: http://cafehistoria.ning.com

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ecravidão no Brasil - Perfil

COLONIZAÇÃO PORTUGUESA E A FRACASSADA TENTATIVA DE ESCRAVIDÃO DOS INDÍGENAS

Durante o período pré-colonial (1500 – 1530), os portugueses desenvolveram a atividade de exploração do pau-brasil, árvore abundante na Mata Atlântica naquele período. A exploração dessa matéria-prima foi possibilitada não só pela sua localização, já que as florestas estavam próximas ao litoral, mas também pela colaboração dos índios, com os quais os portugueses desenvolveram um tipo de comércio primitivo baseado na troca – o escambo. Em troca de mercadorias européias baratas e desconhecidas, os índios extraíam e transportavam o pau-brasil para os portugueses até o litoral.
A partir do momento em que os colonizadores passam a conhecer mais de perto o modo de vida indígena, com elementos desconhecidos ou condenados pelos europeus, a exemplo da antropofagia, os portugueses passam então a alimentar uma certa desconfiança em relação aos índios. A colaboração em torno da atividade do pau-brasil já não era mais possível e os colonos tentam submetê-los à sua dominação, impondo sua cultura, sua religião – função esta que coube aos jesuítas, através da catequese – e forçando-os ao trabalho compulsório nas lavouras, já que não dispunham de mão-de-obra.
A escravidão no Brasil inicia-se assim com os índios, paralelamente ao processo de desterritorialização sofrido por estes. Diante dessa situação, os nativos só tinham dois caminhos a seguir: reagir à escravização ou aceitá-la.
Houve reações em todos os grupos indígenas, muitos lutando contra os colonizadores até a morte ou fugindo para regiões mais remotas. Essa reação indígena contra a dominação portuguesa ocorreu pelo fato de que as sociedades indígenas sul-americanas desconheciam a hierarquia e, conseqüentemente, não aceitavam o trabalho compulsório. Antes dos estudos etnográficos mais profundos (fins do século XIX e, principalmente, século XX), pensava-se que os índios eram simplesmente "inaptos" ao trabalho, tese que não se sustenta depois de pesquisas antropológicas em suas sociedades sem o impacto desestabilizador do domínio forçado.
Os índios assimilados, por sua vez, eram superexplorados e morriam, não só em decorrência dos maus-tratos recebidos dos portugueses, mas também em decorrência de doenças que lhes eram desconhecidas e que foram trazidas pelos colonos europeus, como as doenças venéreas e a varíola.
Diante das dificuldades encontradas na escravização dos indígenas, a solução encontrada pelos colonizadores foi buscar a mão-de-obra em outro lugar: no continente africano. Essa busca por escravos na África foi incentivada por diversos motivos. Os portugueses tinham interesse em encontrar um meio de obtenção de altos lucros com a nova colônia, e a resposta estava na atividade açucareira, uma vez que o açúcar tinha grande aceitação no mercado europeu. A produção dessa matéria-prima, por sua vez, exigia numerosa mão-de-obra na colônia e o lucrativo negócio do tráfico de escravos africanos foi a alternativa descoberta, iniciando-se assim a inserção destes no então Brasil colônia. Convém ressaltar que a escravidão de indígenas perdura até meados do século XVIII.


A DIVERSIDADE DE ESCRAVOS NO BRASIL COLONIAL

Costumeiramente quando o tema escravidão é abordado, lembra-se sempre de gigantescas plantações, insalubres senzalas e feitores extremamente cruéis, onde tudo isso é visto sempre girando em torno de um cenário rural e agroexportador. Entretanto, nem sempre estes fatores representaram fidedignamente a realidade total da escravidão no Brasil, pois, percebemos que não somente no Brasil, mas em outras sociedades escravistas, as paisagens urbanas com a existência de uma grande quantidade de africanos e crioulos que desempenhavam uma grande diversidade de atividades foi bastante comum, como fica claro nos documentos seguintes:
“Vende-se uma linda e elegante mucama de 18 a 20 anos, é boa costureira, perita engomadeira, cozinha de forno, é boa doceira, apronta e serve a um chá com delicadeza, penteia e veste uma senhora: motivo da venda se dirá: na rua do Regente, n. 53”. (13/04/1843) “O Jornal do Comércio”. Citado em História Viva. Ed. 03.
“Vende-se na prisão do calabouço um moleque de 14 anos, oficial de alfaiate, bonita figura, não tem moléstias, nem vícios e só vende-se por não querer servir ao seu senhor”. (12/02/1833) “O Jornal do Comércio”. Citado em História Viva. Ed. 03.
Desta forma devemos afirmar que quando se fala em escravidão no Brasil, devemos pensar em sua manifestação em todos os setores no campo e na cidade, como ratifica o historiador Flávio “a escravidão estava nas casas, nas ruas, nas tabernas, nos gabinetes, no parlamento e nas indústrias, onde os escravos produziam chapéus, tecidos, sapatos, charutos e outros utensílios manufaturados. Seus proprietários importaram várias máquinas e a quantidade de escravos especializados mobilizados era considerável”.
O tráfico de negros africanos foi fundamental para aquecer a escravidão negra no Brasil já que em sua maioria os escravos eram trazidos da África para a América.
Podemos afirmar que no Brasil colonial havia a predominância do trabalho escravo, mas também era freqüente a presença de livres e libertos neste período.
Os escravos eram em sua maioria negros africanos, entretanto devido o processo de miscigenação racial era possível encontrar escravos mulatos e até mesmo escravos brancos.
A presença de escravos mulatos e brancos ocorreu devido o seguinte aspecto: no Brasil seguia-se a lógica do direito romano, onde a escravidão era hereditária. Esta miscigenação muitas vezes, ocorria devido o fato de que muitos senhores (quase sempre brancos) exigiam suas escravas (quase sempre negras) para serviços sexuais.
Muitos desses escravos nascidos dessas relações foram frutos de estupros de escravas pelos seus senhores.
Os escravos brancos, embora mais raros também podiam ser encontrados, no fim do século XIX muitos destes escravos de ganho e de tabuleiro.
Os trabalhadores (fossem eles escravos, livres ou libertos) desenvolviam suas ocupações tanto no campo quanto na cidade, onde todos podiam ser encontrados.
Deve-se ainda perceber as diversidades internas da escravidão, onde os escravos possuíam diversas formas de ocupações e atividades.
Não podemos esquecer que existia no Brasil Colonial escravos que apresentavam diversas origens como por exemplo: os Boçais que eram aqueles recém chegados da África no Brasil, não falando a língua local e conhecendo muito pouco os costumes da região. Os Ladinos que eram escravos africanos já aculturados ou adaptados aos costumes da região e os Crioulos que eram negros que já nasciam em cativeiro no Brasil.


OS ESCRAVOS E SEUS DIFERENTES OFÍCIOS

I - Os escravos do campo: Trabalhavam principalmente nas atividades ligadas ao meio rural (agricultura, pecuária, etc) cultivavam cana, algodão, tabaco, arroz, café, etc.
Eram os que cuidavam, dos serviços mais pesados, também podiam produzir alimentos de roça para completar a sua subsistência ou para eventual comércio.
II - Os escravos do ofício: Mais especializados, cuidavam da moagem da cana, do fabrico do açúcar, atividades de carpintaria, construção, olaria, sapataria, ferraria, etc. A presença destes trabalhadores mostra que é um equivoco as analises simplistas que fazem um divorcio entre o trabalho escravo e o uso de tecnologia.
III - Os escravos domésticos: Escolhidos entre os mais socializáveis, Responsabilizavam-se pelo funcionamento da casa grande, transportando fardos, água, lixo, cozinhando, lavando, transportando seus senhores em cadeiras e palanques etc.
IV - Os escravos de ganho: Eram escravos que desempenhavam tarefas que envolviam obtenção de renda. Estes escravos trabalhavam em troca de dinheiro, que dividiam com seus senhores. Eram estes escravos que estavam mais próximos da alforria.
V - Os escravos de aluguel: Podiam ser alugados por seus senhores para outros senhores para diversos serviços a terceiros. Cabia aos senhores o lucro das transações.
VI - Escravidão urbana: Pouco citada nos livros didáticos no Brasil. Os escravos desempenhavam nas cidades qualquer tipo de tarefa, podendo ser encontrados como: vendedores, barbeiros, açougueiros, sapateiro, marceneiro e até mesmo tarefas incomuns com escrivãs de cartórios, enfermeiros etc.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ser historiador

Os post's anteriores a este brincam muito com a profissão a qual escolhi para seguir. Os amigos devem estar pensando: "mas é tão ruim ser historiador?", a isto poderia ironizar ao ponto de dizer: "é o mesmo que ser professor no Brasil hoje", mas não serei tão cruel assim, nem tampouco sarcástico.
Ser historiador é entender a essência do nosso presente, é compreender o nosso passado, criticando esse presente. Em outras palavras é "muito massa".
Infelizmente a nossa realidade evidencia outras profissões e por isso brincamos um pouco com isso, mas ser historiador é tão fundamental e importante quanto um médico. Imaginem como seria para alguém descobrir o passado de sua família se não fosse por meio da história, ou melhor das fontes históricas... Que cidade iria construir-se num espaço sem a História?
Historiadores somos todos nós, críticos, que investigamos o passado, portanto, história não é coisa apenas de museu, nem tampouco de professor licenciado nesta área do conhecimento. O que nos vale saber é que a partir do momento em que nós pensamos, analisamos e criticamos - positiva ou negativamente - estamos fazendo História.
Se há uma coisa que costumo mencionar, principalmente aos meus alunos é que "tudo é História", até mesmo aquela pedra de calçamento. Mas como assim? Pegando o exemplo dessa dita pedra de calçamento, existem razões pelas quais ela foi colocada ali, além disso ela fora colocada numa determinada gestão municipal, por conseguinte temos a importância da rua e a seguinte pergunta, bem óbvia - diga-se de passagem - "que rua é esta?", "seria uma rua comercial? uma rua onde moram pessoas ditas importantes no meio social do município?", dentre outras perguntas que vão construíndo um perfil; e este perfil é fundamental para o historiador, e são perguntas que, dentro de sua pesquisa o historiador faz as suas fontes.
E o que vem a ser "fontes históricas"? é tudo aquilo que auxilia o historiador em sua pesquisa, por exemplo, a pedra de calçamento mencionada acima; é o documento que pode ser, dependendo da pesquisa uma certidão de casamento, nascimento, óbito, registro de casa, dentre outros; é um diário de uso pessoal, enfim, tudo aquilo que mostre comprovação, tendo em vista que a História mostra-se como uma ciência, e como toda ciência necessita de algo comprobatório como, por exemplo, a matemática é uma ciência exata porque seus estudos culminam sempre na mesma resposta, embora que muitos dos meus colegas matemáticos, físicos, químicos venham a discordar em partes, mas na sua essência é isso. A História é ciência porque necessita de comprovação e esta vem a partir do documento, da fonte histórica. Mas a História é uma ciência humana, porque estuda o social. Mas que parte do social? O seu passado.
Portanto, concluímos que o historiador é um cientista do social, ou seja, estuda o passado através de fontes que possam comprovar que determinado fator é realmente fruto de uma vivência em sociedade, para isso temos as correntes historiográficas que aí é um grancho para outro post.

História é isso, e ser hstoriador é esse ser que traz a tona o passado!

Somos loucos! Loucos, sim! Mas são os loucos que fazem a História!

Frases que um historiador nunca irá ouvir

- O Sr. fez História? Pode me dar um autógrafo, é pra minha filhinha de 5 anos. Ela não assiste outra coisa que programas sobre a Renascença Italiana.

- Historiador não paga, pode entrar por essa porta.

- Você tem doutorado em História!? Desculpe meus modos, Doutor, não quis ser mal educado.

- Quem é aquele saindo da limosine? – Não acredito! É o célebre Historiador Dr. Joel Almeida!

- Peguei um autógrafo do Historiador Paulo Pitombas! Meus amigos não vão acreditar em mim!

- Senhoras e Senhores, temos um caso de emergência! Há algum Historiador no avião?

PERGUNTAS IMBECIS! PERGUNTAS E COMENTÁRIOS QUE TIRAM QUALQUER HISTORIADOR DO SÉRIO

- Por que você fez História?

- Tenho um tio que sabe mais que você sobre 2ª Guerra.

- Você sabe quem foi o sujeito que é o nome da minha rua?

- Adoro História, se eu não fosse eu não tivesse feito Direito/Medicina/Engenharia (ou qualquer outra faculdade), eu teria cursado História.

- Me fala um livro para eu aprender a história do mundo todo.

- Por que mesmo você fez História?

- Dan Brown é Historiador, não é?

-Minha irmã de 4 anos adora história, acho que ela leva jeito.

- Por que você fez História mesmo?

- E você trabalha?

- Duvido que você diga todos os presidentes da República.

- Meu avô viveu a história.

- Meu avô disse que é bobagem de historiador esse negócio de Ditadura.

- Meu pai não lembra de Ditadura nenhuma, só uma Revolução.

- Você pode ajudar com o trabalho do meu filho sobre escravidão? É para 6ª série.

- Sim... Mas o que é História?

- Quem vive de passado é museu!

- Qual é a altura do George Washington?

- A burguesia tomava banho?

- O rei mandava na burguesia?

- Af! História! nam - essa muitos alunos de ensino médio e fundamental dizem

- Se história desse dinheiro, eu tinha feito história - essa dá raiva até em Heródoto

- Você fez História porque mesmo?

- Historiador?! ... Vai morrer de fome.

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